Sopro ancestral

- Ano
- 2026
- Técnica
- Acrílica sobre tela de algodão montada em chassi de madeira
- Dimensões
- 60 × 60 cm
- Série
- Farmacopeia do Invisível
A obra Sopro ancestral coloca em evidência o cachimbo ritualístico e a fumaça sagrada como instrumentos de cura e diagnóstico nas medicinas tradicionais indígenas. A pintura aborda o ato de soprar a fumaça das plantas de poder não apenas como uma ação simbólica, mas como uma tecnologia legítima de cuidado e purificação que atua diretamente na limpeza física e espiritual do corpo.
Nessa composição, as folhas verdes do tabaco e as flores do angico na base da tela dialogam diretamente com a botânica viva e com as propriedades terapêuticas das ervas que compõem o pluralismo em saúde. A fumaça que ascende em direção ao céu estrelado desenha uma ponte decolonial onde o princípio ativo das plantas se funde à força do encantamento e do sopro curativo dos pajés. Ao ressignificar estes saberes, a obra afirma que a cura tradicional resiste no gesto contínuo de soprar a vida, mantendo viva a memória das comunidades e a soberania de seus próprios processos de saúde.
A Jurema e o tabaco sagrado são condutores de rituais milenares, onde a fumaça eleva preces e entrelaça o mundo material ao espiritual.