A travessia da jurema-preta

- Ano
- 2026
- Técnica
- Acrílica sobre tela de algodão montada em chassi de madeira
- Dimensões
- 60 × 60 cm
- Série
- Farmacopeia do Invisível
A obra A travessia da jurema-preta materializa a relação indissociável entre território, espiritualidade e cura, apresentando uma embarcação ancestral que flutua sobre as águas do Rio São Francisco, o grande eixo de vida que corta a Caatinga. A canoa, adornada com grafismos tradicionais, transforma-se em um berço vegetal que transporta a floresta e a própria medicina tradicional indígena sob a guarda protetora da lua crescente e de um céu estrelado.
Nessa travessia poética, a Jurema-preta deixa de ser apenas uma espécie botânica da Caatinga para se afirmar como uma farmácia viva e uma planta de poder itinerante, que navega entre as comunidades espalhando cura e conexão com o sagrado. Ao retratar essa viagem mística pelas águas do Velho Chico, a obra celebra o pluralismo terapêutico e demarca que o caminho para o bem viver indígena é uma travessia contínua que une a força da terra, o mistério do invisível e a soberania de seus territórios sagrados.
Nesta tela o barco assume a natureza de serpente, conduzindo a floresta pelas águas em um rito de passagem entre o real e o onírico. É uma catalogação do que não se vê, mas se sente.