A serpente cósmica

- Ano
- 2026
- Técnica
- Acrílica sobre tela de algodão montada em chassi de madeira
- Dimensões
- 160 × 160 cm
- Série
- Farmacopeia do Invisível
A obra A serpente cósmica investiga esse animal como símbolo de cura e transformação na intersecção entre a história da farmácia e as cosmologias indígenas. Tradicionalmente associada à dualidade entre o veneno e o remédio — onde a diferença reside estritamente na dose —, a serpente ressurge nesta tela desprendida de sua leitura puramente ocidental. A composição, povoada por astros e formas circulares, evoca um cosmos integrado onde a figura serpentina personifica a própria força vital que rasteja pela terra, conectando a dimensão visível do corpo ao invisível da alma.
A pintura materializa uma cura decolonial, em que a saúde não se limita a dosagens químicas, mas se realiza na capacidade de transmutação e no respeito aos fluxos da natureza compartilhados no cotidiano do território. Ao costurar o símbolo farmacêutico à sabedoria ancestral das florestas, a obra afirma que o verdadeiro mistério da cura reside na capacidade de renascer e de se integrar ao organismo vivo que é a terra.
Nas janelas vermelhas e amarelas que cobrem o corpo da serpente, a artista multiplica o olhar mineral que encontrou na casca densa da Jurema Preta.